Resenha – Os fornos de Hitler
Resenha – Os fornos de Hitler

A leitura de biografias e autobiografias é algo recente na minha rotina, mas passei a valorizar histórias reais, principalmente de pessoas que deixaram sua marca no mundo. Esse foi o caso do livro Os fornos de Hitler. Um livro que me passou coragem, resistência e toda a realidade vivida durante a segunda guerra.

Escrito por Olga Lengyel, o livro descreve com detalhes toda sua passagem pelo campo de Auschwitz. Antes de se tornar uma prisioneira, Olga auxiliava seu marido, médico e diretor do seu próprio hospital em Cluj, Romênia. Em 1944, Miklos Lengyel, foi chamado para um interrogatório pela SS, acusado de boicotar o uso de preparações farmacêuticas alemãs em seu hospital. Liberado pela SS, um pouco depois foi intimado a comparecer imediatamente na Alemanha.

Com medo de não ver o marido tão cedo, por conta da guerra, Olga decide acompanhar Miklos, junto com os filhos e os pais que morava com o casal. O que era para ser só mais uma viagem de trem, acabou se transformando no seu primeiro contato com a tortura e falta de humanidade dos soldados nazistas. Durante dias ficaram presos em um vagão sem janelas, lotado de pessoas, algumas inclusive doentes. Em determinados pontos da viagem eram feitas pequenas paradas, nas quais os soldados vinham buscar o que pudesse ter valor, como jóias, relógios e roupas.

Depois de dias de tortura física e psicológica, a família Lengyel chega na temida estação de Birkenau, há 8 quilômetros de Auschwitz. Logo que chegaram, a família foi dividida e pensando em proteger seus filhos, pediu que eles se juntassem aos seus pais. Sem imaginar que este seria o último momento que os veria.

Ao longo de todo o período que ficou presa, Olga buscava se manter com esperança de sair e reencontrar sua família. Passou por situações humilhantes, fome e desespero por sobrevivência. A todo momento chegavam novos trens, lotados de judeus, ciganos e qualquer outra etnia que a SS considerava indigna de viver.

Em Auschwitz o que lhe pesava mais não era somente as condições sub-humanas que era obrigada a viver, mas também o fato de ver dezenas de inocentes morrerem todos os dias, muitas vezes apenas por estarem doentes ou até mesmo grávidas. Durante um certo período, Olga usou seus conhecimentos em medicina para trabalhar na enfermaria do campo. As condições não eram as ideias para tratar de pessoas feriadas e doentes, mas ela se esforçou pra salvar o máximo possível. Foi também nesse período que conheceu o Dr. Mengele, conhecido posteriormente como uma das pessoas mais cruéis dos campos.

Toda a trajetória de Olga é inspiradora, forte e uma demonstração de pura resistência contra toda a crueldade vivida durante todos os dias que passou em Auschwitz. Há a especulação de que sua história inspirou William Styron na criação do livro A Escolha de Sofia, dramatizado por Meryl Streep.

O livro é forte, mas extremamente necessário para se ter a perspectiva de uma pessoa que passou por tudo que os livros de história descrevem.

“We have to prevent similar atrocities from happening again. People should come together the moment there is danger. Endangering one group means endangering all of us.”

Olga Lengyel