Resenha – Incômodo Cotidiano
Resenha – Incômodo Cotidiano

Conheci a Alanna por acaso nas redes sociais, ela apareceu no meu feed divulgando seu livro Incômodo Cotidiano. Como gosto de apoiar autoras independentes, comprei um exemplar e assim que chegou em casa, me apaixonei pelo livro.

Lançado pela Editora Subsolo, o livro tem uma diagramação muito bem feita e que traz um contexto muito importante entre as fotografias e as poesias. Como o próprio título sugere, as poesias trazem a realidade crua, de maneira que incomoda, como por exemplo a desigualdade social, econômica, as dificuldades de ser mulher e racismo.

As fotografias foram feitas entre Minas Gerais e Brasília e todas elas se encaixam perfeitamente às palavras escritas por Alanna. Uma poesia em especial me chamou muito atenção, segue um trecho:

Feminismo Na Visão de Quem Não se Propõe a Ouvir o Que as Mulheres Têm a Dizer

mulher auto-organizada:
feminista safada

e aquele papo de igualdade
de oportunidade na universidade?

mulher é desse jeito
não faz nada bem feito
ainda quer exigir do prefeito
direitos a mais que, para elas
na legislação, já são perfeitos

auto-organização o que?
isso é coisa de mulher
que não tem o que fazer.
dá-se a mão,
já querem o braço
não sei mais o que faço

Essa poesia poderia ser apenas ficção, mas é tão real, tão comum ver essas palavras sendo ditas e reproduzidas o tempo inteiro que chega a doer. E não só essa, mas todas as poesias do livro me deixaram mexida. Foi uma leitura intensa e necessária.

A maneira que Alanna toca em assuntos que as pessoas tem medo de falar, como feminismo e racismo, é delicada e intensa ao mesmo tempo. Ela traz palavras fortes, de maneira sutil e faz com que o leitor se sinta dentro da situação citada, principalmente pelas fotografias.

O exemplar de Incômodo Cotidiano pode ser adquirido diretamente através da autora em suas redes sociais: Instagram ou Twitter.