Resenha – A origem do mundo
Resenha – A origem do mundo

O livro desperta a curiosidade desde a capa: uma menina com a perna para cima, mostrando a mancha de menstruação na calcinha. Ainda hoje menstruação é visto como um tabu e tanto a HQ, quanto sua capa, mostra claramente como falar sobre o órgão feminino precisa ser naturalizado, assim como o sexo e o prazer. 

A escritora Liv Stromquist traz uma narrativa em forma de HQ, com informações valiosíssimas sobre o sagrado feminino desde as religiões politeístas que tinham como principais deuses as mulheres, a vulva e a vagina. Inclusive um dos pontos que achei mais interessante dentro da narrativa da HQ foi o fato de deixar claro as diferenças entre cada parte do órgão feminino e como, ao longo dos séculos, ele foi de sagrado para amaldiçoado, nojento e repugnante. 

Um ponto que foi transformador para a mulher e seu corpo, foi o fato das religiões patriarcais, como o cristianismo, se tornar popular e, consequentemente, os homens serem vistos como seres superiores, enquanto as mulheres eram colocadas como nada (ou menos que isso), usando como argumentos a menstruação ou até mesmo a libido sexual feminina. 

A leitura da Origem do Mundo foi uma aula de história, biologia e, acima de tudo, sobre ser mulher. E não somente no que hoje é visto como mulher, mas no sentido mais amplo da palavra. A escritora inclusive ressalta o fato de que restringir o ser humano a apenas dois sexos biológicos foi uma construção proposital, visto que durante anos foi-se pregado que os órgãos feminino e masculinos foram feitos para se encaixar e reproduzir, apenas. 

Durante toda a leitura, a escritora dá diversas referências de livros e documentários para complementar as informações descritas. Inclusive um documentário importantíssimo para conhecimento de todas as mulheres é o Divine Women: When God Was a Girl (assista aqui).

Recomendo a leitura e absorção dessa HQ maravilhosa e super engraçada, porém séria. É importante entender como as mulheres foram construídas ao longo do tempo e como fomos de deusas a seres inferiores em tão pouco tempo histórico. E que hoje nos leva a tantas batalhas morais e éticas com nós mesmas. Afinal, você sabe explicar por que algum dia teve nojo ou medo da sua própria vagina? Ou por que tem ou teve nojo do sangue da sua própria menstruação? Exato, não sabemos explicar, porque é algo tão intrínseco em nós, desde as nossas mães, avós e etc. que chega a um ponto de reprodução automática. E pra quebrar esses pensamentos, nada melhor do que conhecimento, tanto histórico, quanto biológico.