Quando ele chegou em nossas vidas
Quando ele chegou em nossas vidas

Era pra ser mais um fim de semana comum, eu havia acabado de me mudar para o apartamento onde ele morava com mais um amigo. Nosso espaço se resumia em um quarto, com cama, guarda roupa e uma estante com TV, era aconchegante e eu amava ficar deitada conversando, assistindo série ou só compartilhando o mesmo momento em silêncio. Neste dia fomos em uma loja específica pra comprar um equipamento de som que ele precisava e decidimos desviar o caminho de casa para ir em uma praça, onde acontecia uma feira de artesanatos e antiguidades todo sábado.

Estava extremamente quente aquele dia, havíamos saído cedo de casa e já passava da hora do almoço. “Vamos só dar uma olhada e depois almoçamos”, era o combinado no início. Mas o que seria apenas mais um passeio em um sabádo comum, se tornou um divisor de águas nas nossas vidas. De longe vimos uma cerca, cheia de filhotes, um cartaz imenso dizendo que eram para adoção. “Ah, vamos dar uma olhada, são tão fofos!”, então atravessamos a rua e vimos alguns cachorros e gatos, carentes de atenção, pulando e fazendo graça pra todos que paravam. Mas havia um que era diferente, estava no cantinho, assustado e chorando, alguns outros cachorros passavam por cima dele sem a menor cerimônia. Pegamos ele no colo e ele se acalmou, mas continuava muito assustado. Perguntamos para a responsável o que havia acontecido, ela explicou que ele foi resgatado do meio da rua, há poucos dias e elas ainda não tiveram tempo de avaliá-lo direito, uma das cachorras maiores do abrigo o atacou e ele tinha um machucado grande na cabecinha.

Dias depois de ter chegado em casa, louco por um biscoito

Era um filhote preto, vira lata, com o pelo embaraçado, marcas de lágrimas ressecadas nos olhos e com medo de absolutamente tudo que acontecia. O colocamos de volta na cerca e obeservamos, todos os outros que estavam junto dele eram maiores, gordinhos e paparicados por quem passava. Pensamos por longos vinte minutos e decidimos: ele era o escolhido, era o novo membro da nossa família. Não poderíamos ir embora e deixá-lo, conversamos com a responsável dos filhotes, assinamos a papelada e pedimos um Uber. Ali começava a nova vida desse cachorrinho.
Compramos comida, preparamos a casa e seu cantinho. Mas como vamos chamá-lo? Vamos fazer uma votação. Cada um sugeriu nomes e fomos eliminando um por um. Loki, o deus nórdico das travessuras, combina com ele.

Desde então, nossos dias passaram a ser uma aventura. O Loki havia chegado pra chacoalhar tudo que pudesse. Nossa vida cresceu, agora éramos três.