O desenho da sua autoestima – #BodyPositive
O desenho da sua autoestima – #BodyPositive

Muitas vezes é difícil se sentir representada, já que em todos os lugares são colocadas somente mulheres visualmente perfeitas. Mas existem pessoas que se dispõe a fazer o contrário: colocar mulheres reais em seus trabalhos, mostrando que todas nós temos imperfeições e somos lindas.

As marcas na pele contam nossa história de vida, não importa se é uma estria ou marca de nascença, todas elas fazem parte de nós e não temos que ter vergonha de mostrá-las. E a Marcela Sabiá mostra isso em suas ilustrações delicadamente pensadas em exaltar a beleza da mulher.

Há algum tempo ela realizou o projeto onde recebia depoimento de suas seguidoras e fazia ilustrações com base nos relatos. São diversas histórias inspiradoras. A Marcela me contou um pouco sobre seu trabalho:

De onde veio a ideia de fazer ilustrações de mulheres que superaram inseguranças com suas imagens?

Então, eu comecei a fazer ilustrações sobre autoestima retratando as mulheres em geral, até que um dia recebi uma direct no Instagram de uma moça australiana, me contando a história dela, com fotos e uma mensagem incrível! Daí surgiu a ideia de ilustrar outras mulheres também.

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Swipe to see different skin tones!! ❤️ So here is something I strongly believe: being fat doesn’t NECESSARILY makes you unhealthy. YES, some are not healthy but this is NOT A RULE. Why would we need medical exams if we could judge someone’s health just by looking at them? Well, we wouldn’t. And no, I am not encouraging anyone to stop taking care of their health – we just need to stop assuming whether a person is health or not only by their appearance. Also I’M NOT ASKING FOR A LECTURE ABOUT THIS TOPIC. A body type doesn’t necessarily mean high blood pressure, cholesterol and laziness. A thin person can have more health problems than someone who is fat. A person can exercise and still have a body structure that maintains them at a certain weight. So when you call someone lazy and say they‘re unhealthy, you are being superficial and not helping at all. Let real doctors do their jobs of diagnosing people. Love your body, take care of yourself and know that you can be healthy while being curvy. Just be happy and satisfied with what you see in the mirror ❤️✌🏻 #bodypositivity #bopo #bodypositive

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– Qual foi a história que mais te deixou emocionada?
A história que mais me tocou foi de uma moça que superou os problemas de autoestima, mas tinha cicatrizes de automutilação e sofria com o preconceito das pessoas, que só respeitam cicatrizes de acidentes e cirurgias. Ela era ofendida diariamente nas redes sociais e eu fiquei muito chateada com a ignorância das pessoas. Só um sofrimento muito grande pode motivar alguém a se ferir e a se mutilar. Tenho muita admiração e respeito por histórias como essa!

– Você acha que hoje em dia está mais fácil o processo de aceitação do próprio corpo? Por que? 

Em partes, sim. Porque estamos falando sobre o assunto! Tem um movimento acontecendo, um empoderamento feminino que está cada dia mais forte e a diversidade mais respeitada. As pessoas estão manifestando apoio aos diversos tipos de beleza e nas redes sociais surgem cada vez mais musas inspiradoras de aceitação, o que é muito legal! Porém, acho que no Brasil o processo ainda é um pouco mais difícil que em outros países. Aqui a cultura do “corpo malhado” ainda é muito forte, infelizmente. É uma pressão muito grande pra ter um corpo digno de biquíni e praia, sem celulite e sem gordura. Ainda se esconde muito as imperfeições do corpo, a perfeição continua sendo um ideal. Lá fora as mulheres já se expõe muito mais, vejo uma segurança e um incentivo maior do que aqui.

– Você já passou por esse processo de empoderamento na sua vida? Como foi?

Siim! haha Ainda tô passando, na verdade. Eu sempre fui muito discreta, muito cheia de complexos e só depois de terminar um namoro, reavaliei certas coisas sobre mim mesma. Vi que eu vivia muito em função da aprovação dos outros e não fazia muito do que queria. Resolvi mudar e ser quem eu queria, sem levar em conta a opinião de ninguém! Parei de fazer química no cabelo, fiz tatuagem, coloquei piercing e até as minhas roupas e maquiagem ficaram diferentes. Ainda tenho que me aceitar em diversos aspectos, mas hoje sou mil vezes mais autêntica do que era há alguns anos atrás. Não é um processo fácil, mas é libertador e é algo que vou buscar sempre.

– O que você acha de iniciativas de coletivos e ativistas feministas para esse empoderamento das mulheres?

Eu acho incrível!! Sou muito grata por essas iniciativas e acredito no poder que elas tem de mudar a sociedade. O feminismo ainda é muito mal compreendido e acho que precisamos desconstruir certas ideias. Não é nada sobre odiar homens ou impor coisas às mulheres! É sobre liberdade e igualdade. Roupa curta ou recatada, axilas depiladas ou cheias de pêlos, empreendedora ou dona de casa, fitness ou plus size, não importa. O feminismo quer apenas que todas as pessoas tenham o direito de ser, sem julgamentos e preconceitos. Inclusive os homens, que possam usar maquiagem, por que não? Infelizmente, com as mulheres a sociedade ainda pega mais pesado. Por isso essas pessoas que empoderam são tão corajosas e importantes.

Meninas, invistam em vocês! Primeiro em se conhecer profundamente, todos os defeitos e qualidades, sem se julgar. Depois em aceitar completamente quem você é. A autoestima surge aí, quando a gente se aceita sem julgamentos. É nesse momento que tudo começa a fluir e podemos ser melhores ainda <3