Cara pessoa branca, assista!
Cara pessoa branca, assista!

Cara pessoa branca,

Você acha um absurdo apontarem racismo em pleno século XXI? Pois ele existe e a hipocrisia que o faz ser empurrado para debaixo do tapete, também.

Lembrando que: Racismo não é meu lugar de fala, nunca sofri e nunca sofrerei com isso, pois sou branca. Mas não me impede de ser absolutamente contra qualquer tipo de discriminação e humilhação por cor de pele. 

Resolvi assistir a nova série original da Netflix “Dear White People”, lançada no último dia 28. São 10 episódios que vi em sequência, sem parar nem para comer. A história se passa em uma faculdade tradicional dos Estados Unidos, com fraternidades e projetos criados pelos alunos. Mas existe segregação e racismos velados, que são trazidos para discussão graças à Samantha White, uma das maiores ativistas dentro da fraternidade e criadora do programa de rádio que leva o nome da série.

Apesar do toque de comédia e ironia, os assuntos abordados são recorrentes na maior parte do mundo. Alunos fazendo black face (quando uma pessoa branca se ‘pinta’ de negra), o racismo velado e escondido por alunos brancos, aquela famosa história de que os negros estão fazendo drama ou estão sendo violentos demais. Também são mostrados temas como sexualidade, corrupção e injustiças.

Não é só mais uma série clichê sobre adolescentes em fase universitária, é exposto -mesmo com toques de comédia e sarcasmo- as batalhas diárias vividas por jovens negros, no caso, americanos, mas que pode se dissipar para qualquer outra cultura, principalmente a brasileira. Nosso país tem um dos maiores índices de morte de negros (em sua grande maioria, jovens), as maiores desigualdades salariais de mulheres negras no mercado de trabalho e um dos menores números de jovens negros em universidades. Consegue perceber como a desigualdade e o racismo andam juntos?

Indico essa série para que, mesmo que mínima, você também possa ter uma percepção dessa realidade desigual que vivemos. Assista com o mínimo de juízo de valor possível, absorva as falas de Samantha White. Ah, existe também o filme, de 2014, que originou a série,

Não seja mais uma dear white people por aí.